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San Luis 2005
Campeonato Mundial de Xadrez – Argentina, 2005

Ivan Carlos Regina *

Acabou de terminar na Argentina o Campeonato Mundial de Xadrez, versão FIDE. Como todos vocês sabem, sagrou-se campeão Veselin Topalov, com todos os méritos.

Os concorrentes foram o inglês Michael Adams, os russos Morozevich e Svidler, o hindu Anand, os húngaros Peter Leko e Judit Polgar (a única mulher) , Kasinjanov, do Usbequistão e o búlgaro Veselin Topalov.

A classificação final do Torneio foi : Topalov 10 pontos, Anand e Svidler com 8,5, Morozevich com 7,0, Peter Leko com 6,5, Kasinjanov e Michael Adams com 5,5 e em último lugar Judit Polgar com 4,5 pontos. Olhando a tabela final de classificação parece que o búlgaro ganhou fácil a competição, abrindo um ponto e meio de vantagem. Na verdade não foi bem assim, e é isto que vamos discutir nesta crônica, bem como analisar , do ponto de vista técnico, o que foi este campeonato mundial.

Eu sei que alguns de vocês dirão, acertadamente, que eu não tenho nível de jogo nem conhecimento para fazer a seguinte radiografia; concordo, mas não vi ninguém fazê-la e resolvi tentar. Quem quiser fazer outra, mãos à obra, que provavelmente será melhor que a minha.


  1. Análise da combatividade dos jogadores

    O Torneio foi jogado no sistema “todos contra todos”, em dois turnos, o critério mais justo que pode haver, pois todos se enfrentam jogando com as peças brancas e as negras. Isto levou a sete rodadas com quatro jogos por turno, num total de partidas de 56 (2 turnos de sete rodadas de quatro jogos).

    Destas partidas 32 terminaram empatadas (57 %) e 24 com vitórias (43%). No primeiro turno ocorreram 16 vitórias e no segundo turno apenas 8 vitórias, o que comprova que o primeiro turno foi bem mais disputado.

    As peças brancas ganharam 16 vezes e as peças negras apenas 8 vezes. O aproveitamento das peças brancas com relação aos pontos disputados foi de 57% e o das peças negras de 43%.

    Sintetizando, de cada sete partidas disputadas duas foram ganhas pelas peças brancas, uma pela peças negras e quatro terminaram empatadas. Neste quesito, eu acredito que o torneio foi bem disputado.

  2. O jogador mais agressivo

    Topalov ganhou o campeonato pois ganhou mais vezes, 6 no total. Em segundo lugar esteve Anand com 5 vezes, Svidler , 4 vezes, Morozevich e Peter Leko com 3 vitórias, Judit Polgar com uma vitória e Michael Adams que não teve nem uma vez o doce sabor da vitória.

  3. Quem jogou melhor com as peças brancas

    Foi Anand, num total de 3 vitórias e 4 empates, totalizando 5 pontos. Em segundo lugar estiveram Topalov e Svidler, ambos com 4,5 pontos. Quem jogou pior com as brancas foi Judit Polgar, obtendo apenas 3 pontos dos sete possíveis.

  4. Quem jogou melhor com as peças negras

    Com certeza Topalov aqui se destacou muito, obtendo 5,5 pontos dos sete possíveis, frutos de 4 vitórias e três empates. Em seguida veio Svidler, com 4 pontos, obtidos por uma vitória e seis empates. Vale observar que ambos foram os únicos que não perderam conduzindo as negras. Quem jogou pior de peças negras foram Judit Polgar e Kasinjanov, com apenas 1,5 pontos obtidos.





  1. Quem perdeu menos

    Topalov não perdeu nenhuma, Svidler perdeu apenas uma, jogando de brancas, Anand perdeu duas vezes, Michael Adams e Morozevich perderam três vezes, Peter Leko quatro, Kasinjanov cinco e Judit Polgar seis vezes.



  1. O grande empatador

    Foi Michael Adams, com onze vezes, das quais sete vezes com as peças brancas, o que, cá entre nós, não é um grande negócio. Svidler empatou 9 vezes, sendo 6 de peças negras, o que demonstra a eficácia de sua defesa (ganhou a outra partida com as negras) . Podemos afirmar que Svidler foi o grande defensor do torneio (depois de Topalov).

  2. O campeão do primeiro turno

    Foi Topalov disparado, com 6,5 pontos em sete possíveis, seguido por Svidler com 4,5 pontos. Michael Adams e Judit Polgar terminaram o turno em último lugar, com apenas 2 pontos alcançados.

  3. O campeão do segundo turno

    Foi Anand, com 5 pontos conseguidos, ficando em segundo lugar Svidler e Morozevich com 4, Topalov conseguiu apenas 3,5 , obtidos empatando suas sete partidas do segundo turno. Notamos claramente que o búlgaro “administrou” a pontuação obtida no primeiro turno, muito alta e fora de padrão num campeonato mundial.

  4. As defesas mais utilizadas

    Foi disparado a Siciliana (25 vezes, ou 45 % do total). Destas a Variante Najdorf foi a grande vedete, pois foi aplicada em doze partidas. Em seguida veio a Ruy Lopez (Espanhola) com 14 vezes, a Petrov (cinco vezes), a Caro Khan e a India da Dama (3 vezes) , a Pirc (duas vezes) e outras, apenas uma vez, como o Gambito da Dama, a Francesa, a Inglesa e a India do Rei.

  5. A melhor defesa

    Como vimos, o aproveitamento das peças negras foi de 0,43 (quarenta e três por cento). Vamos ver o aproveitamento das defesas, comparando com a média supracitada : Petrov 0,4(ligeiramente abaixo da média) , Ruy Lopez 0,43 (exatamente a média), Caro Khan , India da Dama e Pirc com 0,5, (ligeiramente acima da média) e outras de pouca expressão estatística. A Siciliana em geral obteve 0,4, como a Petrov. Destaque para a Siciliana Variante Najdorf, com 0,46 em doze partidas jogadas. Podemos escolhê-la sem sombra de dúvida como a melhor defesa deste mundial.

  6. Quem ganhou de negras , e com que defesa

    Topalov ganhou 4 vezes, três utilizando a Variante Najdorf da Defesa Siciliana e na outra a Ruy Lopez. Anand ganhou duas vezes, usando uma a Petrov e na outra sua querida Caro Khan. Morozevich ganhou uma, usando a Defesa Siciliana e Svidler também ganhou, usando a Defesa Índia do Rei. Assim , sem sombra de dúvida, o grande ganhador foi Topalov utilizando a variante Najdorf da Defesa Siciliana.

  7. Os melhores defensores, que defesas usaram

    Topalov ganhou 5,5 pontos usando 4 vezes a Variante Najdorf da Defesa Siciliana (ganhou três e empatou uma) e 3 vezes a Ruy Lopez (ganhou uma e empatou duas).

    O segundo melhor defensor, Svidler , conseguiu ganhar uma partida, com a defesa Índia do Rei , e empatar seis vezes, utilizando uma vez a Pirc e a Siciliana e quatro vezes a Ruy Lopez.

      As piores defesas foram a de Judit Polgar , que jogou 6 vezes a Siciliana (duas a variante Najdorf) com apenas um ponto ganho e a India da Dama (empatou a partida), juntamente com Kasinjanov , que também jogou seis vezes a Siciliana (três vezes a variante Najdorf) com 1,5 pontos conseguidos e na outra optou pela Ruy Lopez (também perdeu).



  1. Os demolidores de defesas

    Contra a Ruy Lopez, foi Svidler, que ganhou duas vezes, e Anand, que ganhou uma. Contra a Siciliana , ganharam Judit Polgar, Anand, Peter Leko e Morozevich. Contra a Siciliana Variante Najdorf, ganharam Kasinjanov, (duas vezes), Peter Leko, Anand, e Topalov. Interessante é quem sabe se defender com ela, (Topalov) , evidentemente também sabe o melhor meio de atacá-la.




    Em conclusão, ouso dizer que o Campeonato Mundial de Xadrez foi ganho pela melhor preparação prévia de Topalov com relação à Variante Najdorf da Defesa Siciliana, talvez até com jogadas preparadas “em laboratório”. As três partidas conduzindo as peças negras que ele ganhou logo de cara no Torneio fizeram a diferença, como podemos ver claramente pelas análises mencionadas.

    O ponto alto do Campeonato, em minha modesta opinião, é a partida Svidler x Topalov, pela quinta rodada, cujo décimo quinto lance das negras é de belíssima feitura, nocauteando o adversário. Também a comentar que algumas vezes neste campeonato torre e peão ganharam de bispo e cavalo.

    Topalov entrou bem preparado, abriu uma margem considerável de pontos e defendeu-a bem até o final do Torneio. Anand reagiu bem, ganhou o segundo turno mas duas derrotas tiraram-lhe a possibilidade de lutar pelo título. Svidler fez um bom campeonato, defendeu-se bem e conseguiu uma boa colocação. Morozevich prejudicou-se com um número excessivo de empates, logo faltando-lhe um pouco mais de agressividade em seu jogo. Peter Leko esteve irregular, Kasinjanov foi bem de peças brancas mas exibiu uma péssima defesa. Michael Adams pecou por não ter nenhuma agressividade, não ganhou de ninguém, talvez ainda sob o “Efeito Hidra”, de quem levou notória surra. E Judit Polgar, infelizmente (eu torcia por ela), esteve abaixo de seu melhor, sendo a jogadora que mais vezes perdeu.

    Gostei do Campeonato, achei porém pequeno o leque das Aberturas desenvolvidas pelos jogadores, com enorme concentração das Defesas Siciliana e Ruy Lopez. Ganhou o melhor, sem dúvida, aquele que tinha uma estratégia planificada previamente e executou-a a contento. Parabéns, Veselin Topalov.

    * Ivan Carlos Regina, nasceu em Bauru, SP e é escritor de ficção científica com vários livros publicados.

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